
Tenho recebido tantas emails (e perguntas no formspring) a respeito da dúvida “O que é melhor Moda ou Jornalismo” que decidi fazer um post falando sobre minhas opiniões do assunto. E este será o primeiro post do ano! eeeee
Pra começar, acho melhor contar que sou jornalista. Me formei pela PUC de Campinas em 2007 junto com as fofas do A Volta da Pochete, e comecei a trabalhar com jornalismo de moda em março de 2008 com assessoria de imprensa. Bom, são quase dois anos no mercado, (no fervo de SP) e acho que tenho um pouquinho de experiência que pode ser compartilhada. Tudo que vocês vão ler a seguir não está nos livros. É fruto única e exclusivamente da caixola desta menina que vos escreve.
FASE 1: IDENTIFICANDO OS CURSOS
Podemos estabelecer a seguinte relação: a moda é como se fosse um barco e o jornalismo um oceano. A dúvida é: quero estudar para ser um marinheiro ou quero cuidar do forte em terra firme?
Explico:
Opção número 1- marinheiro:
Quanto mais você conhecer a sua embarcação (motor, botes-salva vida, tripulação, história da navegação, quem foram os marinheiros mais tops, quem já morreu afogado, quem já passou por tempestade e se safou…), mais chances você tem de viajar tranquilamente (e com sucesso). Claro que você está preocupado com o barco do lado não bater no seu (designers copiões) mas o que mais importa é o seu objeto, sua criação, seu veículo de locomoção. Depois de um tempo você começa a querer contar história de pescador, o que viveu, que viagens incriveis já fez. Para isso, você vai precisar saber se comunicar. Ou seja, tem que aprender mais sobre outras coisas também..
Opção número 2 – responsável pelo forte
Se você escolhe jornalismo, tem que entender que vai ter uma visão geral de geografia, de biologia, de astronomia (alô, fases da lua e marés!) até – por livre e espontâneo esforço próprio – querer conhecer mais sobre aqueles barquinhos que estão a navegar no mar.
O resultado? Não importa qual dos dois você escolher, sua formação vai ter que ser complementada de alguma forma. Tudo ok até aí?
Em jornalismo, você aprende a contar histórias. Em moda, você aprende a criar histórias.
FASE 2: A PERGUNTA CERTA
Depois de endender o que “singifica” cada curso, temos que fazer a pergunta crucial. E não, a dúvida não é “qual o melhor curso”. A pergunta é: “Qual o melhor curso pra mim?”.
Para isso, vamos ter que levar em conta a personalidade da vestibulanda. =)
(Não vou levar em conta talento porque aquilo que nos é nato é desenvolvido, lapidado… Acho que não existe força de vontade que não supere difuldade e pronto. Se você pensou: “não sei desenhar ou não consigo ler e não dormir no começo do livro” pode parar de ler o post aqui. hahaha Você já não passou no filtro para trabalhar com moda. Animação e comprimetimento é o que mais garante sucesso no ramo).
SITUAÇÃO 1 – Pensa na seguinte situação: você é o assistente da guardiã do forte em determinado dia. Você é a responsável por relatar timtim por timtim tudo que aconteceu, ou melhor, juntar todas as informação de tudo que acontece. Que barco passou, o que desembarcou, quantos tripulantes tinham, se você já tinha visto aquele barco no porto. Você tem que ser esperta, curiosa (nós não somos obrigados a saber tudo, mas temos o dever de perguntar), atenta, NÃO PODE INVENTAR NADA, e muito menos copiar o relatório da amiga do dia anterior. Todo mundo vai saber se você fizer isso, viu! Você se imagina fazendo isso durante quantro anos?
Jornalismo é sociologia, análise, informação, pesquisa, veracidade, entrevistas, antropologia, leitura…

Dica de filme: Todos os homens do presidente, Alan Pakula, EUA, 1976.
SITUAÇÃO 2 – Você é Noé. (da arca de Noé). Tá doida pra viajar e descobrir novos mares (aka arrasar na máquina de costura criando mil peças) mas tem que partir do zero. Aprender a cortar madeira, martelar prego, soldar o mastro, ajustar a vela, estudar o vento, cuidar do motor. Enquanto você faz isso, vai ver um monte de marinheiro saindo de botinho de plástico por aí, você vai ter que ter paciência e sair com o seu bonitão/pronto se não quiser fazer feio (ou se afogar). Você se vê aprendendo a construir barcos durante quatro anos?
Moda é tato é percepção, criação, associação de idéias, costura, leitura..

Dica de filme: uma temporada inteira de Project Runway. Ok, não é filme, mas acho que é um dos melhores realities-show sobre o corre-corre dos designers to be
Partindo do pressuposto de que, depois dos quatro anos de curso, tanto a moça que fez moda (corte e costura hardcore) quanto a que fez jornalismo (livros e mais livros) querem ser jornalistas de moda, entendemos que as duas querem ser guardiãs do farol, certo? O ponto de partida é diferente, mas a chegada é o mesmo lugar. As duas querem ajudar os habitantes da cidade desse porto fashion a se vestirem melhor e serem cada vez mais felizes.
FASE TRÊS: COMPROMETIMENTO
E aí que uma boa guradiã é aquele que desce pra conversar com as pessoas no porto, que pede pra dar uma volta nos barcos de vez em quando (por isso tem que conhecê-los tão bem). A boa guardiã sai pra viajar (às vezes sem colete salva-vida), conhece (e entende) os marinheiros, os tripulantes, sabe identificar cargas…. Ela tem uma visão geral muito boa, e a seus conhecimentos especificos faz com que ela consiga fazer comparações antes nada imagináveis.
Resumindo, mais do que o caminho escolhido, acho que é o comprometimento que vai indicar sucesso (ou não) na caminhada de cada uma de nós…
Espero que tenham gostado. Se depois desse post pelo menos uma garota (ou garoto) colocar o “Xzinho” com confiança na hora da inscrição do vestibular, eu já me considero uma blogueira feliz.